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maio 28, 2010

Estações do amor

A lua e o sol alternam lugares ao céu, a luz das ruas brincam de se acender e se ofuscar na escuridão da noite. Ainda ouço o constante encontro da gota à poça já feita na pia, enquanto o vento tenta, sem moderação, invadir meu quarto. Já é tarde e todos dormem e, em seus sonhos, vivem o que eu queria viver fora dos meus. Calmamente, abro a janela e deparo com uma noite de estrelas. Um sorriso eu não consigo conter. É lindo, não há nada mais a dizer.
O vento, que antes era impedido, agora entra e me faz me proteger no cobertor esquecido; começa a tocar uma música conhecida e acompanho apenas com os lábios as palavras. De repente, não estou mais no quarto, a música, porém, permance embalando meus movimentos, acho que sou eu que a estou inventando já que não tem por onde sair o som de onde estou. Vejo pessoas correndo agarradas aos seus casacos para lugares fechados. As crianças encolhidas no colo de seus pais. Alguém me empurra com sua pressa, só ouço um "desculpe", mas não faço questão de olhar.
Entre estas pessoas, nenhum rosto conhecido. Onde estou, meu Deus!? Deslizo minha mão esquerda nos meus cabelos, com um olhar perdido, frustrado. Meus pés me guiam por qualquer caminho, nem estou mais pensando aonde vão me levar. Em um momento, paro. Ao meu redor, um campo florido. Primavera? Está quente e resolvo tirar o casaco e segurá-lo. As mesmas pessoas correm entre as flores. Vejo casais com buquês em suas mãos. Presentes, talvez. Um grupo está vindo em minha direção, conversando, rindo. Nem percebem que me empurraram, mas estou tão entretida com a paisagem que nem dou atenção. Meus pés recomeçam a se movimentar. Não consigo ver nada porque o sol me impede de enxergar. Espero me acostumar e vejo pessoas com roupas curtas e confortáveis, parecem estar de férias. Vejo famílias, amigos, namorados... A alegria é total, crianças para todos os lados, correndo, felizes. Ao meu lado, um rapaz, observando seu ceular. Ele levanta e percebo que algo caiu. Rapidamente pego, deve ser uma agenda ou algo assim, e corro para alcançá-lo. Quando me aproximo, toco em seu ombro e ele se vira. Um mal-estar em sinto. Sinto que algo me impediu de cair ao chão. Quando abro os olhos, não vejo ninguém perto. Só sinto o frio me tomar. Recoloco o casaco, esperando disfarçar a temperatura. A rua está vazia, ninguém por perto. Até que, de longe, eu vejo alguém. Caminho em sua direção e vejo que essa pessoa faz o mesmo. Paro. É? Eu reconheço ele de algum lugar. O sorriso do desconhecido se abre e o meu também. Abaixo a cabeça, tentando esconder o sorriso - inúti. - e continuo caminhando, os passos se tornam mais ligeiros. Quando nós nos aproximamos o suficiente um do outro, um olhar fixo faço e assim fico por alguns segundos. Meus pés começam a me guiar para voltar e, mesmo evitando, acabo me rendendo. Não tenho força para impedir. Começo a voltar, decepcionada, até que uma brisa eu sinto e logo um abraço acolhedor me envolver. Eu sorrio, satisfeita. Abro os olhos. Está frio. Meu quarto continua silencioso, mas frio. Lentamente, fecho a janela e olho pela última vez nas estrelas. E me deito novamente, fechando os olhos. Talvez consiga sonhar e, se tiver sorte, voltarei para as mesmas estações que passei ao seu lado, no meu sonho, no meu doce sonho de amor.

2 comentários:

Anônimo disse...

nossa, que lindo esse post! :3

Bianca disse...

obriigada!

tava inspirada :]