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julho 13, 2015

Um dos dois

O estranho é que somos incógnitas. Há um tempo que não sei mais. Talvez você lembre das promessas que fizemos. Talvez você lembre melhor que eu sobre como vivemos juntos e como foi a despedida. A despedida necessária que nos levou a novos caminhos. E, não querendo desprezar as decisões e as consequências que tivemos, algumas vezes penso como teria sido que tivéssemos decidido ficar juntos para valer.
Sua página da internet está infestada de comentários anônimos e sem razão. Suas fotos, aquelas fotos aleatórias, nunca fizeram tanto sentido para mim. Penso que talvez você esteja lembrando de como comentávamos sobre a falsa ideologia de ser "perfeito". Esses dias, senti seu perfume. Acho que estava na rua e alguém passou perto o suficiente. Eu me virei pelo instinto querendo saber se a pessoa poderia ser você. Não era. E quem sabe nem tivesse usando seu perfume. Talvez fosse a minha mente querendo estar lembrando. Esses dias, eu vi aquela cafeteria que a gente costumava ir no final de semana. Sempre cheia de gente estranha, com estilos adversos. Mas com a energia que queríamos, onde só nós encontraríamos os melhores doces. O aroma daquele café também não me sai da cabeça. Lembro também daquele dia que perdemos a hora e ficamos horas esperando o ônibus que provavelmente estivesse preso nas ruas conturbadas da cidade e que decidimos que ali seria nossa festa, onde ficamos rindo e falando todas as verdades secretas.
Hoje eu encontrei seus amigos numa esquina de um bar e, eu meio tonta da cerveja que tomei com meus colegas, cambaleei até lá esperando te enxergar sem me importar que eles me notariam. Mas você não estava lá. Acho que você deve estar saindo com alguém hoje ou estivesse em casa ouvindo aquele cd que eu tenho pavor daquela banda que não consegue acertar uma mísera nota. Mas você sempre gostou e eu acabei me acostumando só para ver seus olhos brilhando cantando baixinho aquelas músicas que nunca fizeram sentido. Mas prestando atenção. Hoje faz sentido. Músicas estranhas, com letras melosas, além do tom de informalidade daquele cantor. Acho que você queria me dizer alguma coisa, não? Acho que não. Devo estar louca.
Já cheguei em casa e ainda penso que você poderia estar naquele bar só para eu ver mais uma vez aquele sorriso constrangido que você me dava antes de dizer tchau. Vejo que deixei passar uma eternidade para lhe dizer que te amo. Sim, te amo. Mas acho que não estou mais sóbria. Meu quarto está uma bagunça desde aquela época. Lembra que prometi te trazer aqui uma vez para provar que poderia ser mais organizada e que quando nos casássemos, nós não brigaríamos por espaço? Acho que não consegui ainda.
Mas vou parar de escrever e começar a arrumar as coisas aqui. Talvez daqui não saia mais nada perto de você. Talvez não sirva para nada, mas vou começar a arrumar as coisas na minha vida para correr atrás do que sinto. Nem que seja a começar pelo chão do meu quarto numa madrugada de sábado. Talvez isso já seja um começo.
Ou você voltará.
Ou eu partirei.
Um dos dois.

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