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julho 05, 2015

domingo à noite

A questão não é mais por quantos domingos ainda estaremos jogados cada um no seu sofá prometendo que iremos marcar algo no final de semana seguinte. A questão não é mais quantas vezes podemos chamar pelo whatsapp. A questão não é mais o orgulho de não ir tomar a iniciativa. Agora tudo está em torno do medo de que tudo que construímos nesse tempo tenha sido uma doce ilusão. Daquelas que causam nossa insônia, daquelas que nos fazem rir olhando para o nado, daquelas que nos fazem querer falar a qualquer hora sobre nós.
Não tenho a mínima ideia de como chegamos aqui, nessa indecisão e nessa afeição doida e doentia. Mas chegamos. Talvez seja aquele dia que tivemos uma conversa espontânea, sem cobrança nem explicar a ninguém porque estávamos naquela escada parados. Sem ter que entender porque o assunto rolava tão leve e solto, como se nos conhecíamos há anos. Talvez seja aquela sensação boa de estar no lugar certo com a pessoa certa. Foi o momento de leveza que não nos cobrou e, por não termos obrigação, nos aproximou.
Acontece que o tempo passou e nesse tempo todo, estamos procurando o bem que só sentiremos quando estivermos perto. Porque a nossa relação é assim: sem cobrança, sem explicação, sem rumo certo. Mas acho que percebemos que é com o outro que devemos estar. Ou não?
Estranho é saber que as pessoas passam a vida tentando encontrar alguém que as complete. Que as libertem. E nós estamos sabendo de tudo e mesmo assim, com medo de que tudo mude como se não tivesse mudado já. Você partiu, eu deixei. Ou vice-versa. Não sei quem foi que decidiu que não aconteceria, mas sei que foi um ato cúmplice, de comum acordo. E estamos pagando o preço por nossa indiferença. Estamos cada minuto mais longe um do outro, mas o pensamento ainda presente.
Outro domingo sem “nós” e você nem parece que se importa sobre tudo isso. Como se só eu estivesse sentindo falta, como se só eu gostasse de como fomos juntos.
Eu já disquei seu número uma centena de vezes, mas falta coragem. Eu já abri a sua tela umas dezenas de vezes essa semana. Eu já pensei em perguntar para aqueles nossos amigos em comum. Mas penso que se eu ouvir uma recusa sua ou souber de uma novidade desagradável, eu não vou aguentar. Então não ligo, não procuro.
Torço com toda minha força que esse papel seja impresso sozinho e caia em forma de cartão para você. Torço que ao clicar “fechar tela”, seja enviado para sua caixa de entrada. Mas se você estiver como antes, como era comigo, você já terá enviado para mim um pedido de volta.
Mas talvez isso seja só um palpite de uma garota em pleno domingo à noite...

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